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sábado, 7 de maio de 2011

PRF aponta 39 pontos de exploração sexual infantil nas estradas do DF
Inspetores da PRF, conselheiros tutelares e ativistas distribuíram panfletos informativos ontem pela manhã na BR-040, em Santa Maria.

A exploração sexual de crianças e de adolescentes domina os mais de 200km de rodovias que cortam o Distrito Federal e o Entorno. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e outras organizações de combate à prostituição infantil mapearam 39 pontos de vulnerabilidade na capital, um a cada 5km. Como dispõem de um pouca gente para a fiscalização constante, os inspetores da corporação contam com a ajuda da sociedade para impedir os avanços do crime às margens das estradas. Assim, cerca de 60 voluntários fizeram ontem pela manhã uma campanha de conscientização no posto da BR-040, em Santa Maria.
O local e as imediações de municípios goianos como Águas Lindas, Luziânia e Cristalina fazem parte das localidades em que o problema ocorre com frequência. O chefe de policiamento da PRF no DF, Marcelo Marra, explica que o número de moradores no Distrito Federal e no Entorno cresceu na mesma medida que a prostituição. “A população aumentou, e os trechos urbanos tomaram conta das rodovias. Isso facilitou o surgimento de lugares que abrigam o aliciamento. É um problema de segurança pública”, avaliou. “A maioria vem de famílias de baixa renda e encontra na prostituição uma forma de ganhar dinheiro. Os interessados vão de caminhoneiros a moradores e motoristas comuns.”Os ambientes preferidos para a prática do crime parecem lugares comuns, como postos de gasolina, muitos usados para pernoite, e prostíbulos disfarçados de bares. A coordenadora do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca-DF), Perla Ribeiro, explica que a exploração sexual infantil se tornou quase invisível. “A sociedade tem uma tendência de não querer olhar para essa questão”, afirmou.

Campanha
Agentes da PRF, conselheiros tutelares e ativistas entregaram panfletos informativos aos motoristas que passavam pela BR-040. Promovida pela Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais, com apoio de outras organizações, a campanha tem o objetivo de alertar a população para que denuncie casos de exploração sexual pelo telefone 151. O caminhoneiro Valércio Fernandes de Andrade, 46 anos, morador de Betim (MG), abraçou a causa. “A gente sabe que a situação existe, mas não sabe o que fazer. Com esse número (de telefone), poderemos ajudar”, disse. Na estrada há 23 anos, ele deu carona para jovens em situação de risco. “Levei até a um local seguro, próximo ao posto da polícia”, contou.

De janeiro a março, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recebeu 231 denúncias de crimes contra a criança e o adolescente. O DF está em 4º lugar no ranking nacional, proporcional à população dos estados. “A participação da PRF nesse contexto é fundamental. As redes de exploração costumam deslocar meninos e meninas para torná-los mais vulneráveis. A estrada pode ser um facilitador, porque são grandes regiões sem a presença da política pública direta”, disse a coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, Leila Paiva. Os crimes de qualquer natureza contra jovens também podem ser denunciados pelo Disque 100.

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