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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Freira foi principal negociadora, diz vítima de sequestro em Brasília

Carmen Sartori, uma das 4 mulheres feitas reféns nesta terça, falou ao G1.
Apesar da violência, família não planeja deixar sobrado na 711 Sul.

Carmen Lúcia de Freitas Sartori, 58 anos,contou com exclusividade para o G1 como foram as quase sete horas em que ela, duas filhas e uma freira amiga passaram em poder de dois bandidos, nesta terça-feira (14).
Segundo a moradora da casa 46, do bloco K, da 711 Sul, por volta das 9h30 desta terça, ela foi abrir o portão dos fundos da casa para a freira Clara, que já era esperada. A religiosa ia buscar uma imagem de Nossa Senhora para restauração. Neste momento, os bandidos Adelino de Sousa Porto, 57 anos, e Bruno Leonardo Oliveira, 29 anos, se aproximaram e forçaram a entrada na residência.
Os dois perguntaram pelo marido de dona Carmen, Adécio Sartori. “Respondi que ele estava na igreja. Mesmo assim, eles foram entrando. Perguntei o que eles queriam, quem eles eram. Eles fecharam o portão e contaram que era um assalto. No começo não acreditei, mas aí ele mostraram o revólver”, lembra Carmen. “Como eles sabiam o nome do meu marido, senti que alguém tinha mandado eles aqui”, falou a moradora.
Neste momento, além de Carmen e da freira Clara, estavam na casa duas filhas de dona Carmen, Miriam e Mariana Sartori, o namorado de Mariana, dois pedreiros e a mulher de um desses trabalhadores. De acordo com o relato da dona da casa, foi a esposa de um dos pedreiros que percebeu a movimentação, conseguiu sair da casa, pediu ajuda a um vizinho e chamou a polícia.
A viatura da PM surpreendeu os bandidos no momento em que eles deixavam a casa para fugir. O namorado de Mariana Sartori foi intimado pelos assaltantes para levá-los de carro. “Quando a polícia chegou, eles voltaram para a nossa casa”, recordou Carmen Sartori.
Tão logo a PM chegou ao local, por volta das 10h, a moradora foi a interlocutora de dentro da casa nas negociações. Mas logo a irmã Clara tomou a frente no diálogo entre a polícia e os bandidos. "Não sei o que faria sem ela. Ela alcamou a todos e conseguiu manter o diálogo". De acordo com dona Carmen, o desmaio da freira já no fim da ação dos bandidos, aconteceu porque a religiosa tem pressão alta e estava cansada.
Muito religiosa, a família rezou o tempo todo, falou sobre Deus e Nossa Senhora para os assaltantes. “Coloquei a Nossa Senhora em cima da mesa e pedi que ela intercedesse por minha família, pela irmã e por eles”, falou. No começo da ação, os bandidos acompanharam a ação da polícia pela TV, mas logo a energia da casa foi cortada. Os assaltantes permitiram que as vítimas falassem ao telefone, pediram água, suco e comida.
Dona Carmen afirma que não houve agressões ou consumo de drogas por parte dos assaltantes. “Eles estavam muito preocupados em conseguir fugir, chegaram a pedir um carro para ir embora. Me chamou atenção o pavor que eles tinham de voltar para a cadeia”, disse a dona da casa. Outra preocupação dos assaltantes era serem feridos durante a rendição. “Eles disseram que não iam nos ferir, que não estavam lá para machucar ninguém, mas que poderíamos ser atingidas por acidente pela polícia na hora da saída”, falou dona Carmen.
Apesar de ter passado tanto tempo em poder dos bandidos, dona Carmen afirma que a família não pensa em mudar de endereço. "A violência está em todo lugar. Aqui tenho muitos amigos e frequento a paróquia vizinha. Não pensamos em nos mudar. Talvez alterar alguns hábitos, mas ainda temos que pensar sobre isso", finalizou a dona da casa.

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