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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Agnelo se reúne com Dilma em busca de soluções para violência no Entorno

Policiais da Força Nacional revistam moradores em Águas Lindas: presença de militares não reduziu os crimes

A onda de criminalidade que aterroriza o Entorno mobilizou órgãos federais e estaduais para tentar garantir a paz na região. Ao longo desta semana, autoridades voltaram-se às carências de infraestrutura e de políticas sociais dos municípios dos arredores do Distrito Federal. Ontem, o governador Agnelo Queiroz reuniu-se com a presidente Dilma Rousseff e governadores do Centro-Oeste para somar esforços e minimizar o caos implantado na região. Os resultados, porém, estão longe de aparecer.

Durante a reunião, Agnelo anunciou que estuda medidas de intervenção para reduzir as taxas de crimes. “O Entorno é área territorial de Goiás, mas também diz respeito ao Distrito Federal porque recebe toda a demanda. Tem que ser uma ação conjunta”, pontuou Agnelo. A presidente vai nomear a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, para realizar as ações do Pacote de Aceleração do Crescimento (PAC) com os governos do DF e de Goiás. “Só assim poderemos enfrentar os problemas sociais. É fundamental integrar as ações às políticas de combate à pobreza”, acrescentou Agnelo.

Longe dos holofotes, o promotor de Justiça do Ministério Público de Goiás e coordenador do Projeto do Entorno, Luís Guilherme Gimenes, encontrou-se na tarde de ontem com o comandante da Força Nacional, major Alexandre Aragon. “Apresentei um projeto de cidadania para o Entorno e me coloquei à disposição na luta para diminuir a criminalidade”, disse o promotor, ao fim da reunião.

Entre as iniciativas para reduzir as taxas elevadas de assassinatos, está a contratação de uma consultoria internacional que vai mapear os principais problemas que acometem o Entorno. Um deles é o alto índice de crimes graves: as 19 cidades que formam a Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno (Ride) são responsáveis por 38% das mortes registradas em Goiás no ano passado. Além disso, pelo menos 18 policiais civis da Força Nacional Judiciária serão deslocados para Luziânia a fim de reduzir o número de processos parados à espera de investigação. “Não temos estudos sobre a situação do Entorno. A consultoria vai traçar os aspectos que estamos enfrentando na segurança pública”, contou o coronel Edson Araújo, chefe do Gabinete de Gestão de Segurança Pública do Entorno.

Estudo
Na próxima terça-feira, Araújo vai apresentar um projeto de otimização de segurança pública no Entorno. O estudo apontará alguns problemas encontrados nos 19 municípios da Ride. “Será um primeiro diagnóstico. Vamos apontar quantas delegacias necessitamos, o número de batalhões, de unidades do Instituto Médico Legal. O Entorno concentra 38% dos homicídios e ainda não tem uma delegacia especializada na investigação desse crimes. Vou sugerir a instalação de mais de uma”, contou, sem adiantar os números.

Desde abril, cerca de 100 homens da Força Nacional de Segurança atuam em Luziânia, Águas Lindas de Goiás, Cidade Ocidental, Novo Gama e Valparaíso. Apesar da ação constante nas ruas, levantamento da Secretaria de Segurança Pública de Goiás mostrou que a quantidade de vítimas de crimes graves como assassinatos, estupros e tentativas de homicídio no primeiro semestre deste ano deu um salto significativo na comparação com o mesmo período de 2010.

Somente em Luziânia, os crimes de estupro tiveram um acréscimo de 133%, passando de seis ocorrências de janeiro a junho do ano passado para 14 em 2011. As tentativas de homicídio aumentaram 50%, passando de 28 registros, no ano passado, para 42 até junho último. Os números de assassinatos subiram de 60 registros em 2010 para 86 em 2011, numa elevação de 43%. Ou seja, de janeiro a junho, a cada dois dias, uma pessoa morreu assassinada na cidade.


fonte:correiobraziliense

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