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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Escalada de assassinatos, tentativas de homicídio e estupros no Entorno

Fabiana, filha de Francisco, foi morta em casa, em Luziânia: portão entreaberto no dia do crime
A violência avança nos principais municípios do Entorno. Levantamento da Secretaria de Segurança Pública de Goiás revela índices crescentes de crimes graves, como assassinatos, tentativas de homicídio e estupros, a partir da comparação do primeiro semestre do ano com o mesmo período de 2010. Os números contrariam as expectativas dos governos federal e estadual, por conta da presença da Força Nacional de Segurança (FNS). Os municípios goianos de Luziânia, Planaltina, Formosa e Novo Gama aparecem como os mais violentos.

Base da Força Nacional, Luziânia chama a atenção pela escalada dos casos de estupro. Tiveram um acréscimo de 133%, saltando de seis ocorrências no primeiro semestre do ano passado para 14 neste ano. Segundo a titular da Delegacia Especializa de Atendimento à Mulher (Deam) da cidade, Dilamar de Castro, pessoas do sexo feminino também são frequentemente vítimas de assassinatos. Houve 10 homicídios praticados contra mulheres entre janeiro e junho deste ano, contra cinco de 2010 inteiro. “Realmente houve um aumento. O Entorno precisa de mais investimento na polícia que está aqui”, defendeu.

As tentativas de homicídio também registraram crescimento na cidade. Aumentaram 50%, passando de 28 ocorrências em 2010 para 42 até junho deste ano. Os homicídios seguem a curva ascendente. Subiram de 60 casos em 2010 para 86 em 2011, uma elevação de 43%. Ou seja, de janeiro a junho, a cada dois dias, houve um assassinato na localidade.

Na segunda-feira, foi a vez da manicure Fabiana Vieira Ferreira, 25 anos. Ela perdeu a vida dentro de casa, com um fio de televisão. O pai da vítima, o pintor Francisco das Chagas Ferreira, 50 anos, encontrou o corpo da filha na cama dela, na casa da família, por volta das 22h. Ele estranhou o portão da residência, na Vila Guará, em Luziânia, entreaberto. As luzes estavam apagadas. “Pensei que ela estivesse bêbada e dormindo. Liguei para a tia dela para saber se era normal, pois a gente morava junto há apenas 15 dias. Ela mandou acordá-la. Vi que estava morta.”


O crime é investigado pela Deam. “Há a possibilidade de latrocínio (roubo com morte), mas a informação de que a porta não foi arrombada leva a crer que foi alguém conhecido. Tudo é preliminar, mas, a princípio, não houve nem sequer violência sexual”, disse a delegada Dilamar.

Há um mês, o ajudante de pedreiro Willian Pereira de Sousa, 27 anos, morreu vítima de golpes de facas e de disparos de arma, em Luziânia. O filho dele, de 8 anos, não testemunhou o crime, ocorrido no bairro Estrela D’Alva 2, mas ficou chocado com o sangue encontrado perto da casa da família. “Vivemos em meio à violência”, limitou-se a dizer a tia do menino, a dona de casa Socorro Oliveira Silva, 51 anos. No domingo, uma mulher de Luziânia morreu com um saco plástico na cabeça.

Mortes
Os dados da Secretaria de Segurança Pública de Goiás também revelam que o Novo Gama apresentou crescimento na quantidade de assassinatos, tentativas e estupros. Das 12 regiões pesquisadas, cinco tiveram redução em pelo menos um crime. Na Cidade Ocidental, os índices de atentado violento ao pudor e de tentativa de homicídio caíram 33% e 11%, respectivamente. A polícia registrou 13 mortes no primeiro semestre de 2011. Em Padre Bernardo e em Cocalzinho, não foram registrados estupros neste ano.

Socorro Silva, tia de ajudante de pedreiro assassinado na cidade:
Socorro Silva, tia de ajudante de pedreiro assassinado na cidade: "Vivemos em meio à violência"


Luziânia: histórico de casos bárbaros
Palco de série de crimes brutais ocorridos no ano passado, Luziânia segue com altos índices de violência em 2011. Em 2010, por exemplo, sete assassinatos de jovens foram atribuídos ao pedreiro Ademar de Jesus no município distante cerca de 66km de Brasília. Em fevereiro deste ano, sequência de mortes por degola voltou a assombrar a população da cidade. O primeiro caso teve como vítima a garota de programa Maria Aparecida do Nascimento, 35 anos, violentada e morta com um corte no pescoço. A polícia encontrou o corpo em um terreno baldio, no bairro Jardim Brasília Sul. Policiais suspeitavam que ela fosse usuária de crack.

No mês seguinte, em 30 de março, moradores do Parque Alvorada localizaram os restos mortais de Clelton da Silva de Oliveira, 15 anos, num matagal atrás do Fórum da cidade. Ferimentos no corpo do garoto indicavam que ele sofreu tortura. Naquele mesmo dia, a polícia encontrou o corpo de Elias Ferreira de Sousa, 48, também em um matagal, às margens da BR-040, numa região conhecida como Biquinha.

A série de assassinatos misteriosos continuou assustando Luziânia no mês seguinte. Em 31 de março, Juliete de Lima Oliveira, 17 anos, sofreu abuso sexual acabou assassinada com pedradas na cabeça, ao voltar da escola. Ela saiu do colégio às 11h45. O corpo da adolescente estava no mesmo matagal que Elias foi encontrado. Os casos ainda são investigados pela Delegacia da Mulher (Deam) de Luziânia.

Refoço ineficiente
Não é a primeira vez que a Força Nacional de Segurança (FNS) atua no Entorno. Entre outubro de 2007 e outubro de 2009, o serviço se mostrou inexpressivo diante do investimento feito para a tropa de elite. Apesar do gasto de pelo menos R$ 500 mil, as operações e as prisões efetuadas não se mostraram eficientes. E ainda trouxeram problemas. Três integrantes do batalhão, identificados como bombeiros, foram acusados de torturar dois jovens, de 17 e 23 anos. Na época, os acusados acabaram desligados e presos. Em 18 de abril deste ano, os militares voltaram ao Entorno, após apelo do governo de Goiás na tentativa de reduzir os índices crescentes de criminalidade. Mais uma vez, revela-se um fiasco.

A tropa iniciou os trabalhos em Águas Lindas, que apresenta um aumento no registro de homicídios de 43% — Novo Gama, Luziânia, Cidade Ocidental e Valparaíso também são assistidas pela FNS. A presença da tropa, no entanto, não contribui para a diminuição da violência. “O pessoal acredita no mito que se espanta o crime com policiais nas ruas. É como o conceito do espantalho no milharal. O problema de violência em qualquer lugar do mundo precisa de um trabalho permanente, e o policial que vem de fora não conhece a dinâmica do local. O Entorno precisa de uma estrutura permanente, não da atuação da Força”, avaliou o consultor em segurança e ex-secretário Nacional de Segurança do Ministério da Justiça coronel José Vicente da Silva.

Otimismo
Titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Luziânia, Dilamar de Castro também analisou a atuação da tropa no Entorno. “Sinceramente, a atuação da Força não trouxe nada de positivo. Desta vez, não houve nem a intimidação provocada anteriormente”, afirmou.

Ainda assim, o chefe do Gabinete de Gestão Integrada de Segurança Pública no Entorno, coronel Edson Costa Araújo, mantém-se otimista. “Os cinco municípios em que a Força está atuando não apresentam uma linha de crescimento mensal nos homicídios”, ponderou. Para ele, apesar de os números do crime serem altos, a linha mensal não está ascendente. “Isso indica que vamos conseguir reduzir a quantidade a partir do segundo semestre.”

fonte:correiobraziliense.com.br

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