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terça-feira, 19 de julho de 2011

Ex-governador Joaquim Roriz articula candidatura à prefeitura de Luziânia

Governador do Distrito Federal por quatro mandatos, mas obrigado a interromper a carreira pública por força da Lei da Ficha Limpa, Joaquim Roriz (PSC) se prepara para voltar à ativa comendo pelas beiradas. Roriz está inclinado a se candidatar à prefeitura de Luziânia (GO), cidade do Entorno do DF onde nasceu e foi eleito pela primeira vez para o cargo de vereador. Desgastado pela sucessão de derrotas políticas que sofreu desde a renúncia ao mandato de senador, em 2007, o ex-governador não desistiu das urnas. Pretende, no entanto, ensaiar seu retorno em um reduto mais modesto, de 100 mil eleitores.

Como há eleições para prefeito em 2012, ele terá de resolver sua situação eleitoral e partidária nos próximos dois meses. Para ser candidato em Luziânia, município goiano a 66 quilômetros de Brasília, o ex-governador do DF terá de mudar seu domicílio eleitoral a, no máximo, um ano do pleito municipal, ou seja, até o primeiro domingo de outubro. Esse também é o prazo limite para que ele defina uma eventual troca de partido. Roriz discute com aliados a possibilidade de migrar para o PSDB do governador de Goiás, Marconi Perillo.

No mês passado, os dois estiveram juntos na casa de Roriz. Perillo ofereceu ao ex-governador do DF apoio para disputar qualquer prefeitura do Entorno, com a promessa de que daria ao político sinal verde para tratar das questões da região adjacente ao DF. A possibilidade de parceria entre Roriz e Perillo em 2012 foi um dos assuntos bastante comentados na festa da Romaria, em Trindade, em 3 de julho. Na ocasião, políticos de Goiás trocaram ideias com figuras públicas do DF sobre as tratativas para a candidatura de Roriz em território goiano.

Na esteira da conversa entre Roriz e Perillo, o atual prefeito de Luziânia, Célio Silveira (PSDB), e o vice-prefeito, Eliseu Melo (PMDB), também se reuniram com o ex-governador do DF. Caso Roriz se confirme candidato à prefeitura de Luziânia, o grupo que hoje comanda a cidade abrirá mão de fazer o sucessor. Como Célio está no segundo mandato, o nome trabalhado na base é o do vice, que aceitaria disputar de novo o segundo posto numa chapa liderada por Roriz. Célio confirmou ao Correio o encontro e o teor da reunião ocorrida há alguns dias. “Temos muita simpatia pela ideia da candidatura de Roriz. Ele ajudou muito o município e, se quiser disputar a eleição, terá o apoio do nosso grupo, com 13 partidos”, disse o prefeito.

Respaldo
Seja no DF ou em Goiás, Roriz terá antes de conseguir o respaldo da Justiça para sua candidatura, considerada ficha suja pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2010. Os ministros do TSE definiram que políticos condenados por decisão colegiada ou aqueles que renunciaram ao mandato para escapar de cassação ficariam impedidos de se candidatar. Mas, em seguida, o Supremo Tribunal Federal acabou decidindo que as novas regras não valeriam para o pleito daquele ano. A essa altura, Roriz já havia desistido de concorrer ao Governo do DF e orientado a mulher, Weslian Roriz, a disputar em seu nome.

Assim como a de vários outros políticos enrolados com a Justiça, a situação de Roriz não é estável (leia Para saber mais). Pessoas próximas ao ex-governador contaram que ele consultou os advogados recentemente para saber suas chances legais de participar das eleições municipais. Na avaliação de alguns aliados, ele não deve concorrer sob o risco de sofrer mais desgastes com um eventual impedimento em 2012.

Ao decidir que a Lei da Ficha Limpa não valeria em 2010, mas as regras seriam observadas a partir das próximas eleições, o STF não se posicionou sobre a questão da retroatividade. Esse é um ponto fundamental para a situação política de Roriz e que deve ser tratado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 30 ajuizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em maio deste ano. Em 2007, Roriz renunciou ao mandato de senador para escapar de um processo iminente de cassação de mandato motivado pelo escândalo da Bezerra de ouro. Segundo entendimento do TSE, ele estaria impedido pelos próximos oito anos de concorrer a mandatos eletivos. Mas esse é um debate que em breve será reaberto pelos ministros do Supremo.

Região integrada
É composto por 22 cidades que integram a chamada Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno. Abrange uma área de 55,4 mil quilômetros quadrados, cuja população estimada pelo IBGE em 2010 chega a 3,7 milhões de pessoas.

41 anos de carreira
Joaquim Roriz começou a fazer política em Luziânia na década de 1970, quando se tornou vereador de seu município natal e, em seguida, foi eleito deputado estadual por Goiás. Disputou e venceu a eleições para deputado federal, vice-governador e chegou à prefeitura de Goiânia em 1987,como interventor. Um ano depois, iniciou a carreira em Brasília, quando foi indicado pelo ex-presidente da República José Sarney para governar o Distrito Federal. Em 1990, Roriz disputou e venceu seu primeiro pleito na capital da República. Por uma década e meia, ele manteve um grupo político forte no DF, dando um breve intervalo durante o governo de Cristovam Buarque. O declínio de Roriz começou com a renúncia dele ao Senado.

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