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sábado, 9 de julho de 2011

Feira da Torre ainda carece de estruturas previstas no projeto

Na tentativa de proteger as mercadorias e os clientes do sol, alguns feirantes que trabalham no local instalaram toldos e tendas em frente aos boxes: falta de padronização
No início de abril, o governo entregou aos artesãos os boxes da nova feira da Torre de TV, mas a mudança é alvo de críticas até hoje. Quem circula pelo Eixo Monumental avista uma estrutura imponente, mas aqueles que decidem conhecê-la por dentro se deparam com alguns problemas.

Os artesãos afirmam que o governo não seguiu à risca o projeto original. O Correio percorreu o local na manhã de ontem e constatou as deficiências.

Para proteger os produtos e clientes do sol e do calor, alguns feirantes colocaram toldos ou montaram tendas em frente às barracas, sem seguir qualquer padronização. O posto policial ainda não foi providenciado, e os banheiros dependem dos próprios feirantes para serem limpos. As escadas e o elevador previstos para ligar o espaço ao monumento vizinho também não saíram do papel.

A nova feira conta com 608 boxes, mas, até o momento, 547 foram ocupados. Apesar dos pedidos de melhorias, os artesãos admitem que o novo espaço oferece mais estrutura a visitantes e feirantes. “Algumas pessoas que costumavam visitar a feira há muito tempo voltaram a frequentar”, contou o feirante Carlos Martin, 40 anos, morador de Vicente Pires. Para ele, a falta de cobertura contra o sol e a chuva é o principal problema. Carlos é um dos feirantes que instalou o toldo para proteger do calor. “Coloquei porque faz uma sombra na calçada e as pessoas podem circular mais à vontade”, explicou.

O artesão denuncia a falta de limpeza nos banheiros. “A gente contribui com R$ 2 por dia e pagamos uma pessoa para limpar”, afirmou. “Também estamos aguardando a escada entre a Torre de TV e a feira. Enquanto isso, o pessoal tem que descer pela lateral, passar pela grama”, apontou.

De acordo com o vice-presidente da Associação de Artesãos, Artistas Plásticos e Manipuladores da Feira da Torre de Televisão (AFTTV), Alex Moraes, as discordâncias com o projeto original podem ser vistas e sentidas na pele por feirantes e clientes.

“Agora, o governo está vendo por que a gente reclamava tanto das mudanças. Os boxes são menores do que o previsto, falta estrutura para os restaurantes funcionarem, sombra, orelhões e estacionamento”, enumerou. “O GDF não assumiu nenhuma postura diante do patrimônio público. Propomos uma gestão compartilhada, com o governo fiscalizando uma associação e a entidade tomando conta dos feirantes”, sugeriu Alex.

Estudos
Segundo o chefe da Unidade de Serviços Públicos da Coordenadoria das Cidades, Pasem Asad, o órgão prepara um regulamento para o funcionamento da feira. “Estudamos legalizar os espaços públicos em frente às barracas. Tem gente que vende produtos pequenos, mas outros comercializam móveis que não cabem nos espaços”, admitiu. Quanto aos boxes que permanecem lacrados, Asad informou que a medida foi tomada para evitar a ocupação irregular. “O número de feirantes é menor do que a quantidade de lugares. Vamos instalar serviços das secretarias de Cultura e Turismo e estamos estudando se faremos uma licitação ou nova distribuição”, adiantou. Quanto às obras restantes, a assessoria de imprensa da Secretaria de Obras informou que o recurso para a construção das escadas e do elevador já foi liberado. Falta apenas a assinatura da ordem de serviço para o início dos trabalhos.

Apesar dos problemas, os clientes gostaram do novo espaço. A dona de casa Ana Maria Siqueira Costa, 52 anos, moradora do Guará, visitou ontem, pela primeira, o espaço. Ela costumava frequentar a feira quando ela ainda funcionava próxima à Torre de TV. “Aqui está bastante organizado, mas precisa melhorar. Falta sombra para a gente se refrescar do calor e bebedouros. Minhas netas foram ao banheiro e disseram que não havia papel higiênico nem sabonete”, alertou.

O engenheiro civil Jimmy Lima Tosta, 39 anos, morador do Riacho Fundo I, aproveitou as férias escolares dos filhos para passear com a família. A feira da Torre de TV foi o programa escolhido para ontem. “Gostei bastante. Está mais organizado, com um espaço maior para o lazer das crianças. O antigo lugar era mais apertado e perigoso”, opinou. A esposa de Jimmy, Alessandra Silva Tosta, também aprovou o passeio. “Agora está mais agradável, mais familiar. Ficou bem planejado e agradável. A capital do país precisava de um espaço como esse.”

Polêmica e atraso
A nova feira da Torre de TV foi entregue em 7 de abril deste ano e os artesãos receberam os boxes poucos dias depois para fazer a mudança. À época, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios recomendou o adiamento do sorteio dos espaços entre os feirantes devido a suspeita de irregularidades no projeto e no processo de transferência. A Coordenadoria das Cidades, porém, ignorou o alerta do órgão e alegou pressa na reforma do monumento vizinho.

A obra, que deveria ser entregue em abril de 2010, custou cerca de R$ 18 milhões aos cofres públicos — 25% mais cara — e foi executada pela Secretaria de Obras, Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e Companhia Energética de Brasília.

De acordo com denúncia da Associação de Artesãos, Artistas Plásticos e Manipuladores de Feira da Torre de Televisão, na estrutura entregue faltam as escadas de acesso e os elevadores, um posto policial, um Centro de Atendimento ao Turista e caixas eletrônicos, itens previstos no projeto original licitado.

As divergências também foram alvo do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Documento do órgão de novembro do ano passado destaca que a obra foi feita com base em um projeto “totalmente diferente do original”.

fonte:correiobraziliense

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