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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Fazendeiros de Goiás fazem ponte e cobram pedágio por desvio

Ponte sobre Ribeirão João Leite foi destruída pela chuva no final de 2010.
Acesso de cerca de 200 m evita volta de 80 km para chegar até Anápolis.

Proprietários rurais de uma região entre as cidades de Anápolis e Nerópolis, em Goiás, construíram um desvio e cobram pedágio desde abril de motoristas que transitam na rodovia G0-222. A ponte que havia sobre o Ribeirão João Leite, no km 15 da rodovia, caiu no final do ano e ainda não foi reconstruída. O desvio evita uma volta de 80 km para ir de uma cidade a outra.
Desvio construído por fazendeiro em Nerópolis, em Goiás, onde ele cobra pedágio dos vepiculos que passam pela propriedade dele para evitar uma volta de 80 km (Foto: Káthia  Mello/G1)Desvio construído por fazendeiro em Nerópolis, em Goiás, onde ele cobra pedágio dos veículos que passam pela propriedade dele e de vizinhos para evitar uma volta de 80 km (Foto: Káthia Mello/G1)
Com a queda da ponte, e para reduzir o prejuízo, os fazendeiros construíram o desvio para escoar a produção para o Ceasa, em Anápolis. Mas como o local passou a ser utilizado por outros motoristas, os ruralistas decidiram cobrar um pedágio pelo percurso, de terra batida, que não tem mais de 200 metros de extensão.
Caminhões e ônibus estão proibidos de passar pelo local. Só é permitida a circulação dos carros de passeio, motocicletas e caminhonetes. Os micro-ônibus escolares da cidade de Goialândia passam em três horários diferentes e não pagam pedágio.
E são justamente os moradores de Goialândia, município que tem 1.000 habitantes e fica no meio do estrada, os mais prejudicados com a queda da ponte. Muitos trabalham, estudam e têm compromissos em Anápolis, a cidade de maior infraestrutura da região, a 17 km do município.

Sem a ponte, eles eram obrigados a fazer desvios por uma estrada de terra, em condições precárias, ou pegar uma estrada asfaltada, o que aumentava o percurso em cerca de 80 quilômetros.

No desvio construído pelos fazendeiros foi construída uma ponte particular, com um vão de 15 metros e capacidade para suportar até 6 toneladas, segundo informações escritas nas placas colocadas na porteira de madeira, na entrada do pedágio improvisado.
As placas também mostram os preços cobrados pelos fazendeiros – R$ 5 para os carros de passeio, R$ 2 para motocicletas e R$ 10 para caminhonetes, que são a maioria dos veículos na região. A sinalização informa ainda que a cobrança é feita para a “manutenção do percurso e da estrutura da ponte de madeira”.
Cobrança de pedágio
O pedágio está dentro da propriedade do fazendeiro Gilberto Xavier, mas alcança uma parte da propriedade de outros dois fazendeiros. Xavier é o autor da ideia da construção do desvio, da ponte de madeira e da cobrança de pedágio. Ele não diz o quanto recebe, em média, pela cobrança. "Não sei por que vocês estão preocupados com isso", disse.
Local onde ponte sobre o ribeirão João Leite caiu, no km 15 da rodovia GO-222 (Foto: Káthia  Mello/G1)Local onde ponte sobre o ribeirão João Leite caiu,
no km 15 da rodovia GO-222 (Foto: Káthia Mello/G1)
Por telefone, Xavier disse ao G1 que a cobrança começou em abril e é feita das 6h até as 22h. Ele afirmou que, logo após a queda da ponte, entrou em contato com a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) para reclamar sobre os prejuízos dos produtores rurais.

O fazendeiro disse que esperou a construção da nova ponte mas, como isso não ocorreu logo, ele decidiu fazer o desvio. Sobre a cobrança do pedágio explicou: "A ponte continua dando gastos. Ela tem custos. Nós temos que molhar a estrada, botar cascalhamento, fazer a manutenção. Uma parte do dinheiro é usada para isso. A outra parte vai para o meu bolso”.

O fazendeiro disse que, além de transporte escolar, não cobra a passagem dos idosos, e de carros oficiais. Ele disse não se importar com as críticas sobre a cobrança do pedágio. "Quem quiser passar pode passar. Eu não convido. Se não quiser, dê a volta", diz, lembrando da volta de 80 quilômetros.

Xavier também disse que pensa em parar de cobrar o pedágio, mas não informou quando isso pode acontecer. Segundo ele, a ponte provisória construída dentro da propriedade é segura. Ele diz que é engenheiro e que já construiu mais de 40 pontes.

Tarifa zero para morador

O subprefeito de Goialândia, Joselino Pereira da Silva, disse ao G1 que os moradores da cidade não pagam pedágio, mas não soube explicar qual é o critério usado para identificar quem é do município. Os funcionários que trabalham na arrecadação do pedágio são os responsáveis pela triagem.
Ponte fica a ponte que caiu e o desvio construído por fazendeiro em Nerópolis. O desvio, de cerca de 200 metros, evita que motoristas tenham de retornar pela rodovia GO-222 e dirigir mais 80 km para chegar a Anápolis (Foto: Reprodução/G1)Trecho em que fica a ponte que caiu e o desvio construído por fazendeiro em Nerópolis. O desvio, de cerca de 200 metros, evita que motoristas tenham de retornar pela rodovia GO-222 e dirigir mais 80 km para chegar a Anápolis (Foto: Reprodução/G1)
O major Maxwell Franco de Morais, comandante da Polícia Militar na região, lembra que no início havia reclamações sobre a cobrança do pedágio, mas como a área é particular, eles não poderiam interferir.

O comandante da PM disse que não há estatísticas sobre a quantidade de carros que circulam diariamente na rodovia, mas calcula que cerca de 300 veículos pagam pedágio diariamente.

O G1 passou pelo local no último domingo. Em 15 minutos, 20 carros e 10 motocicletas passaram pelo desvio e pagaram o pedágio.

Nova ponte
A Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) informou que as obras da nova ponte sobre o Ribeirão João Leite, no trecho entre Anápolis e Nerópolis, estarão concluídas em 60 dias. A nova ponte terá extensão de 30 metros, 10 a mais do que a anterior.

Sobre a cobrança de pedágio na ponte particular construída pelos fazendeiros, a Agetop informou que sabia da iniciativa. Na época em que o pedágio foi implantado, o departamento jurídico da agência foi consultado sobre a legalidade da iniciativa, mas, chegou à conclusão de que nada podia ser feito porque a área é particular.
fonte:G1 DF

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