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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Chuva em Luziânia deixa pelo menos 12 desabrigados e destrói município

Asfalto cede na entrada da cidade e, escondida sob a enxurrada, cratera engole um caminhão carregado com 8 mil tijolos. O motorista escapou ileso. No bairro do Rosário, pelo menos 12 casas foram inundadas

A cabine do caminhão ficou submersa: motorista escapou de morrer afogado, mas diz que, se fosse um carro de passeio, não teria sobrevivido

Quarenta dias após famílias ficarem desabrigadas e uma criança de 12 anos morrer arrastada pela correnteza, as chuvas voltaram a provocar estragos em Luziânia, município goiano distante 58km de Brasília. Na madrugada de ontem, um caminhão carregado com oito mil tijolos caiu em uma cratera depois de o asfalto ceder na entrada da cidade, no local conhecido como balão da Santa Luzia. Pelo menos 12 casas foram inundadas e os moradores perderam móveis, eletrodomésticos e documentos.

O motorista do caminhão, Kelei Aderi Oliveira Mendes da Costa, 33 anos, escapou por pouco de morrer afogado. Ele saiu de Vianópolis (GO) rumo a Águas Lindas de Goiás para fazer a entrega de tijolos. Por volta das 5h, devido ao temporal, ele preferiu não atravessar uma ponte que corta a cidade e buscou um caminho alternativo por dentro Luziânia. Ao fazer o balão, sentiu o veículo afundar. “Foi só olhar para o buraco e a cabine começou a descer. Se fosse um carro pequeno, a pessoa teria morrido. É um prejuízo material grande, mas graças a Deus ninguém morreu”, desabafou.

O caminhão, carregado com 15 mil quilos, foi retirado do buraco às 14h30 por duas retroescavadeiras, que puxaram o veículo com a ajuda de cabos de aço. Outro buraco aberto na lateral da pista foi tampado com terra pela prefeitura do município e a via foi liberada. O secretário de Obras, Cláudio Meireles, garante que não há risco. “É um transtorno que não irá causar problemas no trânsito. Os carros podem passar que não há problema algum”, assegurou.

Moradores da cidade dizem que essa é a terceira vez que a cratera se abre na pista. Nas outras duas ocasiões, os buracos eram menores e foram tampados este ano pela prefeitura, sem nenhuma avaliação do estado do solo escondido pelo asfalto.

Tubulação estreita
A falta de escoamento e a precariedade das galerias de águas pluviais são apontadas pelos bombeiros e moradores como as causas das enchentes. “Choveu a noite inteira, o que elevou o nível da água. A tubulação aqui é muito estreita e não comporta tanta água. O ideal seria canalizá-la para poder dar melhor vazão”, explicou o tenente José Bonfim da Cruz, do 5º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás.

A chuva começou por volta das 22h do domingo e continuou até as 5h de ontem. As primeiras duas horas de precipitação foram suficientes para fazer transbordar o Ribeirão Vermelho e tirar o sono dos moradores dos bairros Mandú, Parque Alvorada e Rosário — nesse último, pelo menos 12 casas foram atingidas.

O nível da água chegou a 2,70 metros em alguns pontos. O aposentado Agemiro Sérgio de Oliveira, 73 anos, conhecido por Alemão, ficou ilhado durante toda a manhã. Ele, o filho Guilherme Rodrigues, 18, a nora Ana Beatriz Barros, 18, e o neto Gustavo, de um ano e seis meses, não tinham como sair de casa em razão do volume de água no portão. “Vamos ter que esperar a água baixar. Colocaram asfalto na cidade inteira, mas a água não infiltra e desce para a bacia. Não fizeram o escoamento e os bueiros são pequenos demais. Assim, inunda tudo. Foi um serviço muito malfeito”, criticou. Ele contabiliza um prejuízo de R$ 15 mil para reformar a parte de baixo da casa, que ficou completamente encoberta.

Pela segunda vez em 40 dias, o comerciário Altair Câmara Gomes, 65 anos, perdeu os móveis de casa. Da primeira vez, em 30 de novembro, dois aparelhos auditivos, além de eletrodomésticos, também tiveram de ser jogados no lixo. O prejuízo estimado foi de R$ 50 mil. “Desde o mês passado, eu estava morando na casa da minha filha com medo de o rio transbordar de novo. Desta vez foi pior e, agora, o restante das coisas que ainda estavam dentro de casa estragou também”, desabafou.

No bairro Mandú, a comunidade tem medo de acidentes na ponte do córrego de mesmo nome. O asfalto cedeu às 6h de ontem, após a forte chuva da madrugada. Metade da terra foi levada pela correnteza e as rachaduras podem ser vistas no que sobrou da passagem. “Essa ponte já caiu uma vez em 2008 e estou vendo a hora de ela cair de novo. Será uma tragédia anunciada por causa de um serviço malfeito”, disse Sebastião Rosa de Oliveira, 58 anos. Hoje pela manhã, os bombeiros irão ao local para fazer uma vistoria técnica e avaliar a necessidade de interdição.

O secretário de Obras, Cláudio Meireles, não admite que o escoamento na cidade seja inadequado e disse que, desta vez, as casas foram inundadas porque o caminhão caiu justamente em cima da tubulação responsável pela vazão da água, elevando assim o nível do Ribeirão Vermelho. Meireles afirmou que a cratera aberta no balão Santa Luzia será tampada tão logo cesse o período chuvoso, e acredita que a obra será concluída em um prazo de 60 dias.

Um recurso da ordem de R$ 9 milhões foi liberado pelo Governo Federal em 2009 para obras na rede de água e esgoto em Luziânia. Desse valor, Meireles diz que apenas R$ 2,7 milhões estão disponíveis. O recurso será utilizado para a construção de quatro galerias de águas pluviais de concreto armado na região.

   
O Ribeirão Vermelho transbordou e deixou moradores ilhados


Sem trégua
Nas primeiras 11 horas do dia, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 66,4 milímetros de chuva na estação de Luziânia, o suficiente para provocar alagamentos. “Se a água não escorresse, isso corresponderia a uma lâmina de seis centímetros por metro cúbico. Acima de 20 centímetros, a precipitação já causa enxurradas, principalmente se chover várias horas seguidas em diversos pontos”, explicou o meteorologista Hamilton Carvalho. A previsão do Inmet é de tempo nublado, com pancadas de chuva nos próximos três dias. O Sol só deverá aparecer na sexta-feira, ainda com possibilidade de precipitações. O meteorologista diz ainda que o volume pluviométrico de janeiro de 2012 deverá superar a média do ano passado, uma vez que já choveu 90 milímetros e, em janeiro de 2011, o acumulado foi de 247,4 milímetros.


Memória
Em 30 de novembro, uma criança de 12 anos morreu em Luziânia após forte chuva. Kamila Yasmin Rodrigues Menezes foi arrastada cerca de dois quilômetros pela correnteza ao tentar atravessar uma rua alagada. A menina saiu da escola e, como o ônibus não passou, ela resolveu ir para casa a pé. Na altura do Parque Estrela Dalva 7, as ruas estavam submersas. Camila bateu a cabeça no meio-fio e foi levada para dentro do Córrego Mandú, que passa no bairro Santa Fé.

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