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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Mulher que encontrou bebê abandonado quer adotá-lo e já a chama de Abigail


Ao sair para buscar remédios para a enxaqueca de um dos filhos, por volta das 6h30 de ontem, Conceição de Sousa da Costa passou por um amontoado de tecidos que estavam sob uma pequena árvore na rua. “Pensei que algum usuário de drogas havia esquecido o travesseiro por aqui”, contou a pensionista, de 44 anos. Três passos depois, o som de um choro abafado chamou-lhe a atenção. A fronha e o lençol azuis, sujos de sangue, escondiam uma criança recém-nascida.

Da sombra da árvore do Conjunto 1 da Quadra QR 225, em Samambaia Norte, a menininha foi levada para a casa de um dos filhos de Conceição, que acionou a Polícia Militar. Antes que os bombeiros e os policiais chegassem, a pequena, de pele clara, olhos castanhos e alguns fios escuros de cabelo ganhou até identidade: Abigail, nome bíblico que significa fonte de alegria. “Eu sempre pedi a Deus para ter uma filha e o destino a colocou na minha porta. Vou lutar para conseguir adotá-la”, disse a pensionista, com os olhos marejados.

A pequena Abigail teria nascido por volta das 6h de ontem, de acordo com a avaliação dos pediatras do Hospital Regional de (HRSam) — apenas cerca de meia hora antes de ser encontrada por Conceição, que não costumava sair de casa no horário. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde, a criança nasceu com 2,690kg, 48cm de altura e passa bem. Ela ficará 48 horas em observação no hospital. No corpo do bebê, havia restos de cordão umbilical, que havia sido cauterizado, possivelmente por um isqueiro.

Um boletim de ocorrência foi registrado na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), mas, até o fechamento desta edição, não existiam informações sobre os pais da criança. “Recolhemos sangue para eventual exame de DNA. Em casos assim, é normal encontrarmos a mãe”, afirmou o delegado Plácido Rocha Sobrinho, chefe da 26ª DP.

Mesmo que a mãe do bebê seja identificada, não há garantia de que ele volte aos cuidados da mulher. “É importante saber quem são os pais porque assim vamos descobrir os parentes mais próximos e, então, eles terão prioridade para ficar com a guarda da criança”, informou o conselheiro tutelar Roseílto Teixeira. A mãe deve passar por acompanhamento especializado, além de responder judicialmente pelo crime de abandono de recém-nascido, que pode render prisão de seis meses a dois anos.

O Conselho Tutelar de Samambaia Norte aguarda a decisão de um juiz da Vara de Infância para definir qual o procedimento a ser tomado em relação à criança, que pode ser encaminhada a um abrigo enquanto espera adoção. Apesar dos esforços de Conceição, dificilmente ela conseguirá a guarda do bebê. “Se ela for para adoção, seguirá para a lista do Cadastro Nacional de Adoção. Entendemos a situação, mas a lei mudou e, hoje, não é mais assim que funciona”, explicou Teixeira.

Denuncie
Para qualquer informação que possa identificar a mãe da criança, o telefone da 26ª DP é o 3359-9200. Quem preferir, pode fazer uma denúncia anônima pelo 197.

Memória
6 de janeiro de 2012
Um bebê com 10 dias de vida foi encontrado por moradores de rua na entrequadra 402/403 da Asa Norte. O menino estava em boas condições de saúde, mas foi encaminhado ao hospital regional (Hran) para observação. Depois que o caso ganhou notoriedade, a mãe procurou a delegacia, confessou ter abandonado a criança e disse que o garoto foi gerado em uma relação sexual forçada. “Ela mostrou arrependimento e já restabeleceu o vínculo afetivo com o bebê, que está no berçário do Hran”, informou o conselheiro tutelar Clemildo Sá. O inquérito policial foi concluído e a mulher, de 19 anos, responderá judicialmente pelo crime de abandono de recém-nascido.

2011
8 de dezembro
Um bebê de 11 meses foi deixado pela mãe, às 16h30, com um cliente de uma lanchonete no centro de São Sebastião. O homem ficou por cerca de seis horas com a criança do sexo masculino, até que a polícia fosse acionada. O bebê foi internado no Hospital Regional da Asa Sul (Hras), às 3h, do dia seguinte. De acordo com o histórico recolhido pela equipe médica, a criança já havia sido abandonada em outro momento e a mãe seria usuária de drogas.

15 de setembro
Uma mulher entregou um bebê recém-nascido, ainda sujo de sangue e com o cordão umbilical, ao vigia do Hospital Regional de Santa Maria. Ele estava em uma bolsa feminina. Na ocasião, a jovem disse que havia escutado um choro e encontrou a criança em um descampado perto da unidade de saúde. As investigações da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) indicaram que a mulher era, na verdade, a mãe. Ela prestou depoimento na delegacia e disse que foi abusada sexualmente em janeiro, depois de sair da escola. A família não sabia da gravidez.

5 de agosto
Um bebê de sete meses foi encontrado à 1h na Associação dos Carroceiros de São Sebastião. De acordo com a conselheira tutelar da cidade Marceli da Silva, um morador não identificado ouviu o choro da criança e ligou para polícia. O bebê estava sem roupas, em um colchão, e recebeu os primeiros cuidados médicos em um centro de saúde. A mãe foi identificada e encaminhada à 30ª DP (São Sebastião) para prestar esclarecimentos sobre o caso. Segundo a polícia, ela contou que deixou a criança com um casal para pegar dinheiro emprestado com um tio, e que depois ela iria viajar com o filho.

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