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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Planaltina se assusta com troca de tiros em praça central e fuga de presos


Um tiroteio em uma festa no centro da cidade e a fuga de quatros detentos de alta periculosidade assustaram Planaltina de Goiás, a 49km de Brasília, no último domingo. No primeiro caso, uma das vítimas está com uma bala alojada na coluna. E na precária e superlotada cadeia pública do município, quatro presidiários serraram uma das grades, pularam o muro e fugiram do local. Os casos não têm relação entre si e continuavam sem solução até o fim da tarde de ontem.

Os disparos ocorreram em um estacionamento próximo à Praça Central, chamado pela comunidade de Inferninho. A prefeitura permitiu a veiculação de som automotivo durante os fins de semana. Segundo moradores, as festas regadas a bebidas alcoólicas, drogas e violência ocorrem há pelo menos três meses. O titular do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) de Planaltina de Goiás, delegado Fernando Alves, afirmou que um homem armado chegou ao local e atirou contra os frequentadores, provavelmente por conta de ciúme de uma mulher. Segundo o investigador, o suspeito fugiu no carro do irmão.

Até o fim da tarde de ontem, o acusado não havia sido encontrado. Um dos jovens baleados preferiu não se identificar e afirmou ao Correio que conversava com a prima do autor dos disparos na hora em que ele aproximou. “Não sei qual foi o motivo. Ele já chegou gritando e atirando”, afirmou o jovem de 18 anos, atingido no braço e no peito. Ele foi atendido em três hospitais e recebeu alta ontem, mesmo com o projétil alojado na coluna. Segundo parentes, os médicos afirmaram que uma cirurgia para retirá-lo seria muito arriscada. Apesar das dores, ele não perdeu os movimentos das pernas.

As vítimas têm entre 13 e 19 anos. Aos fins de semana, o Inferninho reúne até 200 pessoas, de todas as idades. Cada grupo fica em torno de carros equipados com som de alta potência. O pai de uma das vítimas disse que confusões parecidas ocorrem com frequência. “Já houve outros tiroteios, brigas e gente bêbada atropelando os outros na rua. Não tem policiamento, e a prefeitura faz vista grossa para o problema. Como não percebem que é um lugar perigoso para a população?”, questionou.

Superlotação
Com o dobro da capacidade máxima, a cadeia pública de Planaltina de Goiás registrou a primeira fuga do ano. Durante o banho de sol, no horário de visita do último domingo, quatro detentos usaram um objeto cortante para serrar parte da grade que reveste o pátio da penitenciária. Saíram pelo buraco, pularam o muro e escaparam do local. Um carro estaria à espera do lado de fora para dar cobertura aos fugitivos. Nesse momento, havia apenas três agentes e um policial militar no local para vigiar os internos e controlar a entrada e a saída de visitantes.

Assassinatos e outros crimes graves fazem parte da lista de antecedentes dos fugitivos. O diretor da cadeia pública do município, Reinaldo Brito, informou que Denison Henrique Ferreira da Silva, 22 anos, o Buiu, foi condenado a 18 anos de reclusão por homicídio. Além disso, teve a prisão preventiva decretada sob a acusação de outro assassinato. Fabrício de Oliveira Barros, 23, e Gabriel Henrique Pereira da Silva, 22, respondem por roubo e tráfico de drogas, respectivamente. Alex Gomes Pereira, 33, é acusado de assalto e tem mandados de prisão expedidos pela Justiça do DF.

A penitenciária divide muros com uma escola e ruas residenciais. Atualmente, 124 pessoas cumprem pena na prisão, com capacidade máxima para 60. No pátio em que ocorreu a fuga, havia cerca de 50 presidiários. O diretor Reinaldo reconheceu a precariedade do sistema e creditou os problemas ao baixo efetivo de servidores. Segundo Reinaldo, o objeto cortante usado na fuga pode ter chegado aos presidiários por meio de um visitante ou jogado por cima do muro.

No ano passado, houve pelo menos quatro fugas na penitenciária de Planaltina de Goiás. A última delas ocorreu em setembro. Até fevereiro, devem ser iniciados os trabalhos de reforço da segurança das paredes e das grades da cadeia. O serviço foi orçado em R$ 17 mil.

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